Quem conhece sabe: é difícil descrever o Marrocos em palavras. As emoções falam mais alto quando se visita essa terra mágica, mas vou tentar resumir aqui dez palavras que descrevam o que você irá encontrar.

Medina – Cidade velha, o início de todas as cidades, o velho mundo árabe. É um emaranhado de ruelas que formam um grande labirinto e, dentro da Medina, temos de tudo: lojas, produtos, serviços, mercados, feiras, açougues, casas, padarias, hammam – que são os locais de banho públicos. É onde vemos as antigas tradições ainda presentes. Em 99,99% dos casos, você precisa de um guia, caso contrário, a possibilidade de você não sair é imensa! É realmente um labirinto, especialmente a de Fes, a maior Medina do mundo árabe. Mas é um passeio incrível! São tantas lojinhas de coisas para casa, enfeites, roupas típicas, kaftans, babouches, óleo de árgan, bolsas. Mas você vai ter que se espremer pelas ruelas dividindo espaço com todos os outros turistas, além de carros e lambretinhas, o principal meio de transporte dentro das medinas. São várias motinhos zunindo de um lado para o outro, com homens carregados de mercadorias, sacolas, ferramentas, 3 pessoas na mesma moto. Loucura!

Calor – No verão, o Marrocos é muito quente mesmo! Temos dias de 49ºC, por exemplo, mas é um calor seco. Não deixa de ser extremamente quente, porém a sensação é diferente de termos 49ºC na Bahia. Ou seja, se você pretende vir entre maio e começo de setembro, lembre-se de colocar roupas claras e leves na mala e muito protetor solar. No inverno e no outono, temos temperaturas frias ou amenas, dependendo da época. Temos neve bem pertinho de Marrakech, então se você vier nessas épocas, cheque a previsão e traga bons casacos;

Deserto – A imagem de um deserto de areias finas a perder de vista é talvez a imagem mais clichê do Marrocos. O deserto do Saara é uma extensão de areia com mais de 9.000.000 km² que se estende por outros países vizinhos, mas que ainda assim ocupa grande parte do território marroquino. Da vasta imensidão de areia onde parece não haver vida, surgem as caravanas de camelos dos tuaregues que aqui vivem desde sempre. A experiência de dormir no deserto é um passeio que todos devem fazer um dia. O cérebro custa a realizar o que os olhos veem. É um cenário tão distante do Brasil que realmente parece que foi montado ali para que você se sinta dentro de um filme, mas é tudo real.

Especiarias – Definitivamente, o Marrocos tem sabor de cominho e especiarias. O cominho vai em praticamente todas as receitas. Cuscuz Marroquino, Tajine de carneiro, frango, boi ou legumes – tajine é um cozido de carne servido com legumes e tem a versão vegetariana, só de legumes -, nas saladas, na pastilla – uma torta de massa folhada bem fininha recheada de frango ou peixe com uma camada de amêndoas, açúcar e açúcar-,  enfim, em 99% da comida servida aqui.

Chá – O chá é a bebida mais tradicional do Marrocos. Sempre que você for a casa de alguém, ou a uma loja ou restaurante, será oferecido chá de menta como sinônimo de hospitalidade. O hábito de beber chá está enraizado na cultura marroquina e possui todo um significado e ritual ao qual os visitantes não podem ficar indiferentes. Existe toda uma técnica e encanto em torno do chá, desde a preparação das folhas, da infusão até à forma como é servido, despejado do bule bem distante do copo para formar uma fina coroa de espuma.

Pão – É na medina que também encontramos os fornos comunitários. Árabe gosta mesmo de um belo pão caseiro. Porém, algumas casas no Marrocos não têm forno a lenha, do jeito que tem que ser assado o pão, então você vai até o forno comunitário com sua massa de pão já crescida, faz um tipo de marcação que mostre que aquele pão é seu, tipo 3 furinhos, 4 tracinhos, um X, porque todos os pães, incrivelmente, são idênticos, e deixa lá para o responsável assar. E depois volta para pegar seus pães quentinhos. Não é o máximo?

Hammam – locais de banho públicos, separados para homens e mulheres, onde todo mundo pode ir tomar banho, já que algumas casas não tem estrutura de banheiro/chuveiro. Antiga tradição que se mantém até hoje. O ritual do Hammam se dá no banho de vapor que favorece a desobstrução dos poros, seguido de uma massagem intensa e vigorosa no corpo inteiro, normalmente usando uma luva de crina de cavalo. Em alguns hammams, há mulheres que vem e te dão o banho estilo marroquino, com uma esfoliação que tira até a possibilidade de uma pele morta de você!

Montanhas – Outro dia eu ouvi de um cliente nosso que uma amiga dele tinha o sonho de conhecer o Alto Atlas. Achei curioso alguém querer conhecer o Marrocos mais pelo relevo do que pela cultura, apesar de que conhecer o Alto Atlas é carregar muito mais do que 32kg de bagagem cultural. E é realmente uma região linda. A porta de entrada principal é Marrakech. Aliás, Marrakech tem um plano arquitetônico que não permite construções acima de 70m de altura, o que permite que você veja o Atlas de diversos pontos da cidade, sendo que ele está há cerca de 60km daqui. Na montanha, no inverno, temos neve e estações de ski. Nas outras estações, passeios a cavalo, camelo, bicicleta e muitos montanhistas procuram a região para grandes trekkings até o cume do Jbel Toubkal, o ponto mais alto do país, na cordilheira do Alto Atlas, com mais de 4 mil metros de altitude.

Gentileza – Aqui no Marrocos esbarramos o tempo todo em pessoas gentis e dispostas a ajudar por todos os cantos. Há uma lenda do muçulmano ser fechado, olhar torto para os estrangeiros que não se vestem como eles, mas isso não existe. Há uma certa timidez de vez em quando, mas não uma grosseria ou descaso. Eles amam receber e recebem muito bem. Se você for brasileiro, então, prepare-se para muita simpatia e hospitalidade. Os marroquinos adoram o Brasil, assim como futebol. A diferença de cultura e da língua podem até afastar num primeiro momento, mas ao primeiro sorriso retribuído, você vai entender o que eu estou falando.

Souks – Visitar as medinas e os souks nas ruas é voltar ao passado. É uma experiência inexplicável. Entender como os povos se organizavam e viviam antigamente e ver que até hoje isso é assim em países como o Marrocos nos surpreende muito. Além disso, as opções de compras dentro das medinas é sempre insuperável! A mulherada pira!